Vale a pena ser uma advogada correspondente? Por quanto tempo?



Recebi a pergunta pelo meu instagram e é uma pergunta bem frequente no meu dia a dia... mesmo não sendo mais uma correspondente jurídica eu acredito que já falei tanto desse assunto e acredito tanto na ideia do projeto que frequentemente eu volto no assunto com intuito de ajudar quem está passando o que eu passei em 2014 e 2015.


Assim que concluí minha graduação eu já estava com a aprovação no exame da OAB, resolvi que abriria meu próprio escritório, os anos e anos na corretagem imobiliária me fizeram sentir segurança de que eu poderia encontrar bons clientes na área que eu já era realmente encantada e que me fazia feliz: O direito imobiliário.


Acontece que as coisas não foram tão rápidas quanto eu imagina... O que confesso que foi desesperador! Eu tinha recém divorciado, morava sozinha com meu filho, estava dando o primeiro passo na minha vida como advogada e nenhum cliente entrou no meu escritório para assinar um contrato de honorários no primeiro mês.


A sensação é de um desespero sem tamanho e até mesmo mil reflexões sobre: "Será que eu fiz certo em abrir meu próprio escritório? Fui ousada demais?". Fato que eu já tinha tomado a decisão, no fundo confiava que eu conseguiria fazer aquele negócio dar certo e o investimento financeiro que fiz no espaço não poderia mais ser revertido... O que significa? Um caminho sem volta com 2 opções: Dar certou ou Dar certo!


Eu sempre acreditei na proposta que criei pro escritório de Santa Catarina (meu estado natal), um espaço com uma advocacia extremamente personalizada e focada na área extrajudicial do mercado imobiliário. A proposta foi e ainda é boa, mas eu precisava de tempo para que as pessoas da região, os possíveis clientes, soubessem dessa proposta tão "incrível" que saiu da minha cabeça.


Ocorre que o tempo não espera para passar, as contas e compromissos não esperam os contratos de honorários serem assinados. Evidente que eu havia feito uma reserva para esses primeiros meses, mas e o medo? Medo de usar toda a reserva e ainda não ter clientes para pelo menos pagar as contas de manutenção do escritório.


Na época uma amiga mencionou a possibilidade de correspondência jurídica. Acredita que eu nunca havia ouvido falar nisso? Pois é... e isso é algo que você já pode começar a fazer durante a faculdade.


Na mesma hora que soube da possibilidade comecei a buscar mais informações e encontrei 2 sites (indiquei um deles no final do post) que me pareceram confiáveis e que me tive a impressão de que poderiam me dar um bom volume de retorno. Mesmo sem muito dinheiro na época eu resolvi investir e pagar a assinatura por 3 meses (que na época era possível) de cada um dos dois sites.


Vou deixar aqui um link para que você compreenda mais sobre "o que é correspondente jurídico", pois nesse post eu vou falar apenas da minha experiência com essa possibilidade.


Minha ideia naquele momento de contratação inicial foi: "Vou testar os dois sites por 3 meses e depois disso farei uma assinatura mais longa com o que me der mais retorno financeiro." e assim eu fiz! Ao final do período de "teste" eu consegui constatar que um deles me deu muito mais retorno que o outro, então: Decisão feita!


Depois de alguns anos e da minha curiosidade com esse mundo online, a resposta sobre o motivo do maior volume de demandas estava evidente na minha frente! Oras... um portal que investe mais em publicidade no google, conteúdo e estrutura tem maior chance de ser encontrado quando pessoas o buscam no google. Ou seja, é indispensável que você escolha uma empresa que verdadeiramente invista em ser encontrada pelo google, assim o volume de demandas será maior! E esse também é o motivo pelo qual os sites "gratuitos" não tenham resultados.


Algumas das minhas experiências com Correspondente Jurídico:


Vou compartilhar com vocês aqui alguns dos bons contratos e contatos que fiz na época em que fui correspondente!


Peticionar para advogados.

Tive um contrato incrível com um advogado do Rio Grande do Sul, ele já era um senhorzinho e extremamente dedicado à advocacia tradicional, não tinha nenhuma desenvoltura com os novos sistemas de peticionamento eletrônico, ele entrou em contato comigo pelo portal Jurídico Certo para que eu transformasse as petições de "word" em PDF, precisava ainda que o PDF fosse comprimido para que tivesse exatamente o tamanho aceito pelo E-saj e depois que eu mesma fizesse o protocolo das peças dele. Simples assim... e ele me pagava na época R$50,00 por petição!


Foram algumas petições por alguns bons meses! E essas quantias me ajudaram demais para pagar a conta de energia e internet do escritório!


Acompanhar e enviar relatório de audiência em Processo administrativo de má conduta de servidor público (Procuradoria Federal):

Eu fui contrata 2 vezes por um grande escritório de advocacia de Brasília para acompanhar as audiências de oitiva de testemunhas de um processo administrativo.


A intenção do escritório era ter alguém em tempo integral dentro da sala de audiências e que ao final do dia enviasse à eles um relatório de tudo que havia acontecido, mas não só do que estava nas próprias atas das audiências, eles queriam que eu percebesse o que estava acontecendo. Eu transcrevi então as sensações que a audiência me trouxe.


Foram 2 dias em cada uma das contratações.


Confesso que o assunto debatido foi extremamente constrangedor... o servidor utilizava o computador da repartição para acessar sites indicados para maiores de 18 anos, acredito que tenha me compreendido, não? Pois então... foi isso que fiquei no total de 4 dias vendo e ouvindo!


O valor que recebi? Maravilhosos R$750,00 em cada uma das contratações! Foi ótimo e ajudou demais no aluguel da sala do escritório naqueles meses. Perceba, eu não estava ali como advogada, estava como ouvinte.


Buscar documentos nos cartórios (serventias extrajudiciais) e levar para os correios.

Um escritório com um volume grande de demandas me contratou diversas vezes para buscar certidões de nascimento, casamento, certidões de inteiro teor de imóveis... enfim! Diversas certidões e postá-las imediatamente nos correios para o endereço deles.


E a opção deles por me contratar para fazer essa diligência sempre foi por conta da celeridade que eles necessitavam. Me contratar era mais rápido do que pedir para que o próprio cartório enviasse o documento para eles via correios.


O valor que me pagavam não era muito alto, mas confesso que o serviço era de baixíssima complexidade e no meu ponto de vista a questão da complexidade deve ser fortemente considerada quando você passa um orçamento para um possível cliente de correspondência. Eu recebia algo em torno de R$30,00 por documento, mas eu fazia tudo a pé em poucos minutos.

Talvez você pense: "Mas Mariana, como pode você como advogada aceitar receber R$30,00 para uma diligência?".


Ué... naquele momento eu não estava praticando nenhuma atividade privativa da advocacia, eu estava com tempo (porque não tinha nenhum cliente da advocacia) e estava precisando pagar as contas do meu escritório!


Claro que mais fácil seria eu virar e falar que a vida é difícil, que a advocacia está saturada de profissionais e que por esse motivo eu não dei certo na carreira. Mas não... Eu resolvi lutar pelo meu sonho de advogar, de manter meu escritório aberto até que meus primeiro clientes verdadeiramente lucrativos chegassem para assinar belíssimo contratos de honorários! E naquele momento eu estive disposta a fazer qualquer coisa lícita para angariar capital suficiente para a manutenção do escritório e dos meus sonhos profissionais.


O começo da advocacia não é fácil para ninguém! Acredite... para todos é difícil! Cada um enfrenta uma batalha e a gente não faz a menor ideia da batalha que cada um acorda disposto a vencer todos os dias.


E eu enfrentei a batalha de manter o escritório aberto, com as contas pagas e colocando comida na minha mesa até que os clientes me encontrassem como ADVOGADA!

E por quanto tempo eu devo ser Correspondente Jurídico?

Eu tinha muito certo dentro de mim que o que eu estava fazendo como correspondente seria temporário, pois eu tinha um sonho e estava fazendo de tudo para conquistá-lo: Ser advogada do Direito Imobiliário.


Então minha conta foi a seguinte: vou cancelar meus contratos de correspondente jurídico no momento em que o tempo que dedico às diligências fizer falta na advocacia. E assim foi! Em determinado momento eu percebi que precisava de mais tempo para os meus clientes do Direito Imobiliário, eu já não conseguia ser uma correspondente célere.


Foi nesse momento que parei e decidi: Deu! Daqui pra frente a advocacia já consegue manter meu escritório e minhas contas pessoais!


E a pergunta super padrão que sempre recebo quando falo sobre o assunto:


Qual o correspondente você usava?

Eu usei o Jurídico Certo.


Foi o que me trouxe mais resultados e hoje percebo que foi pelo simples fato de ter maior investimento no google e assim as pessoas que precisam contratar acabam encontrando a plataforma com maior facilidade.


Eu espero que tenham gostado do meu relato e espero verdadeiramente que de alguma forma te ajude!


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