O maior erro ao iniciar a advocacia


Uma das poucas unanimidades que temos entre advogados é que o início da advocacia é muito difícil. Bem, a unanimidade para por aí. A controvérsia já se instala sobre o fato de se vai ficando mais fácil ou mais difícil com o passar do tempo, mas é unânime que o início não é fácil (ou pelo menos é unânime entre todos que conheço – se você discordar, me fale!).


Mas qual seria o maior erro cometido no início da advocacia? Muitos diriam que seria a prospecção de clientes. Outros diriam que seria a gestão do escritório, seja administrativa ou financeira. Outros podem considerar que é a falta de segurança e de domínio da técnica jurídica para realização dos atos necessários.


Bem, eu não estou em nenhum desses grupos. Na minha opinião, o maior erro é tão grande que é de difícil percepção. Mas para isso, vamos explicar um pouco como é o dia a dia do início da advocacia.


O início

A opção por advogar aparece em momentos diferentes na vida de cada um.


Dependendo do ponto que esta opção é feita, o início e o planejamento do advogado são um pouco diferentes: alguns já caem diretamente na prática da advocacia, pois já começam a advogar com clientes, enquanto outros começam a prospectar lentamente até efetivamente começar.


Independente do momento que isso ocorre, a sensação de fechar contrato com o primeiro cliente é única e maravilhosa. Parece que o universo se alinha, que os anjos tocam trombetas, e que a felicidade não vai acabar nunca.


Mas ela acaba.


Pouco tempo depois, notamos que esse cliente não basta: precisamos de mais, e começamos a procurar esse cliente da nossa forma, sem muita técnica, mas de alguma maneira começa a dar certo. E, de repente, temos uma quantidade boa de clientes (o que varia de acordo com o tipo de cliente, demandas, etc).


E então prestamos mais atenção ao financeiro. Como estamos com tantos clientes, mas com o fluxo de caixa tão baixo? Por que sobra tão pouco, quando sobra?


Rapidamente afastamos esse pensamento: temos prazos fatais para cumprir. Hoje é o último dia para contestar aquela ação, para recorrer daquela outra, para se manifestar sobre a perícia, e... MEU DEUS! Quase perdi a audiência! Que horas a gente consegue comer e dormir?


Logo começa a tocar aquela música na sua cabeça: “será que todo dia vai ser sempre assim?”


Aconteceu de uma forma muito parecida comigo. Foi assim com você também?


O erro

O maior erro ao iniciar a advocacia está ali, oculto no texto. Talvez você já tenha visto, talvez não, mas chega de mistério. O maior erro que cometemos é que começamos apenas a reagir aos estímulos externos, sem planejamento e sem consistência. Mas vou explicar melhor.


Claro que prospectar clientes é importante. Claro que cuidar do financeiro é importante. Claro que fazer as peças processuais e audiências é importante. Mas muito mais importante que isso é realizar as tarefas ANTES que elas se tornem urgentes. ANTES que seja a única opção.


O fato é que nem sempre isso é possível. As urgências vão se acumulando, e precisamos lidar diretamente com elas para evitar um desastre. Só que aos poucos, elas se tornam maiores e mais frequentes, e temos que deixar de executar algumas tarefas que não são essenciais para o momento, para solucionar as mais urgentes.


No entanto, é como se estivéssemos cercados de fogo, mas ocupados em apagar apenas um lado. Se nos preocupamos apenas com o fogo à nossa frente, o fogo dos lados vai crescer, e assim o incêndio jamais vai apagar.


Mas qual seria, então, a solução?


A solução

Eu sempre digo que as soluções são simples, mas não são fáceis. É simples apontar o que deve ser feito. A dificuldade está na execução e na consistência.


É essencial que sua principal preocupação seja planejar o futuro da sua advocacia, do seu escritório, e liste os atos a serem tomados que irão te levar na direção que se pretende. Só se é possível sair da “corrida de ratos”, da “roda do hamster”, com uma visão clara do que deve ser feito.


Além disso, é necessário cumprir diariamente o que é planejado, ou seja, você precisa ter consistência e habitualidade. Muitas vezes, realizamos pequenos atos por um curto período e, não vendo resultado imediato, paramos de fazer aquele ato que geraria um resultado excepcional em seis meses, ou um ano. Vou trazer um exemplo.


Digamos que seu objetivo seja melhorar o valor cobrado por seus honorários advocatícios. Esse aumento permitiria a contratação de uma pessoa para auxiliar no escritório, reduzindo a demanda de trabalho. Para aumentar os honorários, você precisaria melhorar a satisfação dos seus clientes. Essa melhora se daria com dois atos:

  1. envio ativo de atualizações e

  2. responder a todos os contatos de clientes diariamente, até o final do dia.


Todavia, imagine que esses atos aumentem muito sua demanda de trabalho, e você passe apenas a responder os contatos dia sim, dia não, sem enviar ativamente atualizações sobre as demandas que estão sob os seus cuidados. Certamente o resultado será diferente, se ocorrer. Os clientes não ficarão tão satisfeitos, se é que o nível de satisfação irá melhorar.


Por vezes pode parecer trabalho demais, com pouco resultado imediato. Mas é esse trabalho que vai render melhores frutos lá na frente. Cada hora dedicada a um trabalho estratégico vai economizar 10, 100, até 1000 horas no futuro, pois você estará no caminho certo.


Conclusão

Como vimos, o maior erro do advogado ou advogada no início de sua carreira – e às vezes ao longo dela – é apenas reagir às demandas que aparecem, sem analisar qual seria o ato estratégico que poderia melhorar a sua posição e avançar sua advocacia.


Por isso, é essencial, além de resolver todas as demandas urgentes do dia a dia, reservar um período para planejar e pensar no futuro. E, claro, é importante também executar o planejamento dia a dia, pelo período determinado, mesmo que pareça que os resultados não estão chegando.


Por isso, não cometa o erro de apenas reagir: reaja, mas também planeje e execute!


Conteúdo produzido por:

Mateus Terra.

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